E desandou a falar de Manoel como quem fala de um amante que partiu a menos de dois meses, e não há 75 anos. As comidas que comeu, as músicas que ouviu, as danças, os batuques e oferendas que Manoel Coutinho conheceu e se encantou naqueles dias. Todos fascinados pelo bom casamento que poderia ser realizado, com o bom partido caído do céu. Manoel Coutinho encantava a todos nas festas com explanações sobre temas financeiros e tergiversações. Mas “caldo bom demora no fogo”, me disse Don’Ana, e o seu doce Manoel caía em contradições. Não se explicava direito à sua família: onde morava, onde trabalhava, calava-se sobre pai e mãe; e quando ela bateu pé, “não me importo, caso e pronto”, encurralaram Manoel. Dizer que não aguardou o seu retorno por anos, ela não pode dizer; “- Menino, “taria” mentindo!”.
Um inocente enlace com aquele homem que considerava como sendo seu grande e único amor, desandou em anos de mágoas, saudades e mistérios que somente agora, 75 anos depois, através de algumas cartas encontradas casualmente, começam a ser elucidados.
As pistas sobre o paradeiro daquele homem e de seu estranho desfalque, tornarão o ano de 2004 inesquecível para o pesquisador e analista de manuscritos do Arquivo Geral Telio Tamaras.
O pai de seus filhos, foram 2 meninos e 3 meninas, nunca soube, ou nunca perguntou. Ela cansou de se perguntar: o Manoel, aonde andaria?
trecho do livro " O Princesa"
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